quinta-feira, 20 de maio de 2010

Apática

Abro o dia procurando novidades.
Entre as cortinas bem fechadas
arrisca-se fina luminosidade...
estou no mesmo lugar!

Meu corpo quer ficar e manda...
embora tanto faça donde esteja
mas a razão levanta e anda
resmungando pela própria natureza...

A vida parece-me um fio
pendurado ao vento
num espaço vazio...
a balançar sem querer...

Tudo vai perdendo a graça...
o tempo, o corpo, a alma
o sol, a lua , mentira ,verdade,
bonito, feio, bondade....

paisagem cinza ou verde,
ódio, amor, amizade...
dependem da criatividade.
Cada um as tem
tal qual formata,
ou não tem nada!
jun/2009
OM

Rimar é tudo de bão

Do texto sou entrelinhas,
na palavra se me atrevo,
já me perco entre vígulas,
mas se pintar um repente
abram alas, minha gente,
perco carretel e linha,
me atiro a fazer rimas
dia e noite, noite e dia!

Rimar é uma gostosura,
melhor que comer sorvete
ou mascar a puxa-puxa,.
também mela nossos dedos
em palavras de ternura,
faz graça, conta segredos,
quando vê fala de tudo,
vai-se até perdendo o medo,
de saci em noite escura,
vem o sol a gente deita,
acorda e engole a lua!
Eta, que rimar nos deixa
serelepes de alma nua!

OlgaMatos
19/11/2009

"Amigo da onça"

Nada no mundo é tão vil
quanto a falsa amizade
que pesa cada amigo
com o peso da vaidade
alardeando-se o tal
amigo-celebridade
que nunca teve inimigos
que lhe valesse uma nica,
por ser um amigo falso
que merecesse pesar!

Também prefiro aspereza,
sinceridade sem mel,
do que palmas , sutilezas,
daquelas que ninguém quer,
pois exalam mais friezas,
do que as curtas sinceras,
sem mel ou salamanleques!

Bem queremos amizade,
pura agua de vertente
que fortalece os laços
e satisfaz o vivente!
OlgaMatos
29/03/2009

Sonho verdades

Não sei mentir , é bem verdade,
mas sou assim: fio autenticidade,
que me verseja em cada palavra,
bem escrita , dita ou mal formada!

Não tenho orgulho , mas não sei fingir,
por que a clara tez me denuncia,
rubra fica e o olhar esquivo,
a desguiar engole mentiras!

Mas enfim a guisa me empina,
menina velha ou velha menina,
levo uma vida leve e traquina

montando ondas mansas , que deslizam,
desviando-me das grimpas
dos velhos sonhos tão vazios!

OlgaMatos
29/03/2009

Chove, chuva!

Como o rio vem da nascente,
da planta vem a semente
e o engenho a rodar...
Cá em cima desta terra,
no pedaço que me cabe,
pensando igual poeta
me ponho a rimar versos!

Rimando de sul a norte,
por cá esqueço da morte...
ri e vi 2008
abracei 2009...
vão meus pés pisando torto...
pisa um depois do outro...
e o riso? Sem esforço!
E a chuva? Chove!
Bah, mas que tempo chuvoso!
OlgaMatos
09/01/2009

Retalhos

Duma fresta fina e fria
espiam-me frases nuas
desprovidas de poesia.

Palavras cheias de rugas
velhas ,tristes, esquecidas...
são simples caricaturas...
trapos velhos encardidos.
que sequer se identifica
que já foram tom carmim.
15/03/2009
OlgaMatos

Ontem

Era linda a brincadeira
no terreiro vendo a lua,
das sombras vinham os medos,
protegidos pelo escuro.

Era tão facil sair
da aflição daqueles dias...
hoje é tudo tão difícil!

Mesmo que seja doce
o raiar de novos dias
quando cai o véu da noite
e o silêncio principia
mais amarga o torpor
destas horas tão vazias!!!

OlgaMatos
08/01/2009


Quem pensa que sentimento envelhece
não entende de poemas e poetas. ( OM)